sábado, 8 de agosto de 2009

Sonhos e Utopias...


Sonhos e utopias: é do chão da experiência cotidiana e da prática pedagógica que se deve partir para compreender a escola e a sala de aula.

Sonhar com outra escola possível é continuar a discutir, a ler, a participar ativamente de encontros e momentos de continuada formação. É pensar e agir no desejo de fazer a diferença, de algum modo de emancipar a humanidade de suas "ignorâncias". Sonhar uma outra escola é desejar avançar, é desejar avançar, é colocar-se em movimento de abertura para o novo, para as dúvidas, para o não-saber. A transformação da escola necessariamente envolve a modificabilidade nas relações, compreendidas como um processo de exercício de diálogo e surgimento de tensões. É no enfrentamento destas tensões que o sonho se constrói, é no encontro com as diversidades que se alicerça possibilidades de concretas transformações. Mudar não é tarefa fácil e todos nós sabemos disso, mas o sabor da mudança emerge quando a própria escola se torna espaço vivo, pulsante, em movimento constante.

O sonho e a utopia colaboram para a criação de processos e culturas novas. O sonho e a utopia são deflagradores de energias positivas vitais ao ensinar e aprender. Descobertas originais, práticas re-elaboradas, ocupação criativa de espaços e formação de parcerias com instituições e organizações afins, difundem criticamente verdades, ampliam referenciais de vida, socializa saberes e se tornam bases de ações vitais. Percorrer novos caminhos para a re-significação do espaçotempo escola é construir referências culturais e políticas indispensáveis a uma outra visão de mundo, de um mundo mais justo, ético, fraterno e solidário. Percorrer novos caminhos não é tarefa simples de ser realizada: sempre irão surgir resistências, mas, lembrando nosso eterno Paulo Freire, educar é um ato político e exige que, para a transformação do mundo, o sonho seja vigoroso, pleno de coragem para sua realização. Sonho é aspirar ao desejo de mudança e acreditar que novos modelos de ser e estar em educação são possíveis.

Para tudo isso, rever a escola de hoje é ação consequênte, reflexiva e autoquestionadora; rever a escola de hoje é buscar teoria que leva à ação; rever a escola de hoje é transformá-la, é enfrentar os inúmeros desafios presentes nos erros e acertos e, dignamente, reaprendermos a amar. E sobre o amor, termino esta fala, termino este escrito citando um belo trecho de Teilhard de Chardin: "Algum dia, quando tivermos dominado os ventos, as ondas, as marés e a gravidade...utilizaremos as energias do amor. Então, pela segunda vez na história do mundo, o homem descobrirá o fogo".



Referências: FREIRE, Paulo. Pedagogia dos sonhos possíveis. Editora UNESP, São Paulo, 2001.